“Velocidade Furiosa 9”: Vin Diesel e a família estão de volta em “novela mexicana” cheia de piroseira, ação e coração

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A franquia “Fast & Furious” virou novela mexicana em alta velocidade e tem orgulho nisso.

SINOPSE: Dom Toretto leva uma vida tranquila, longe de tudo, com Letty e o seu filho, o pequeno Brian. Mas todos sabem que para lá do horizonte pacífico, o perigo está sempre à espreita. Desta vez, esta ameaça vai forçar Dom a enfrentar os pecados do seu passado para conseguir salvar aqueles que mais ama. A sua equipa volta a unir-se para travar um plano que vai chocar o mundo, liderado pelo melhor condutor e maior assassino que alguma vez encontraram: Jakob (John Cena), o irmão abandonado de Dom.


Imagine-se com dez anos, com carros de brincar na mão… “Vroom! Vroom! Este carro salta e este vai pela colina abaixo aos trambolhões! Ahahah! Explosão! KaBoom! Fogo por todo lado! E eles saem sem um arranhão! Temos de fugir! Rápido! Engata aquele cabo na frente do carro e salta como o Tarzan! Rápido! Vroom vroom, aaaaaaah – paramos o carro no ar por uns segundos – E de repente surge um rocket no tejadilho! E o carro avança com o turbo todo até ao espaço!”

Esta seria a nossa imaginação fértil cheia de imprevistos, sem qualquer noção de linearidade ou senso de realidade. Tudo espetacular a um nível magnificente, algo que nos levava de uma poça de água aos confins do espaço em meros segundos, desafiando todas as leis da física.

E também é assim “Velocidade Furiosa 9”, o novo filme da franquia “Fast and Furious”. E sim, eles vão ao espaço. Depois disto, esperem buracos negros e viagens temporais no “Fast and Furious” 10 e 11.

“F9” eleva o registo exagerado dos mais recentes capítulos da franquia – tanque em “F6”, submarino em “F8”, carro espacial em “F9” – mantendo a mesma teia intrincada e maquiavélica do seu vilão e o “MacGuffin” para o enredo da praxe: um equipamento tecnológico que requer as habilidades específicas de Dom Toretto e da sua “família”.

É o padrão já conhecido, que tem variado ligeiramente para acomodar os desejos dos fãs. Desde ressurreições inesperadas a Helen Mirren finalmente a grandes velocidades, passando por John Cena como um irmão desaparecido que virou vilão, o realizador Justin Lin assume o seu entusiasmo imberbe e a vontade louca de criar sequências de ação “over the top”.

Com personagens que vivem numa gravidade comovente e seriedade pirosa, como no caso de Dom, interpretado por Vin Diesel, e outras na absoluta disparidade, “F9” é conscientemente ridículo, apoiando-se no meta-comentário para justificar todas as ações convolutas, colocando as personagens em espanto com a improbabilidade das suas missões, dissertando sobre nunca terem ferimentos e serem invencíveis.

Tudo revolto num melodramatismo pateta que nos faz rir onde não era suposto, esta é a força de “Fast & Furious”: um equilíbrio de humor, ação e coração que nos convida a desligar o cérebro e a partilhar uma sala de cinema. Cheia, de preferência.


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