“Monster Hunter”: um chorrilho de ação em esteróides a tentar passar por cinema

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Hiperactividade desconcertada prende-nos num emaranhado de tudo e de nada.

SINOPSE: Por detrás do nosso mundo, existe outro: um poderoso mundo de monstros perigosos que governam o seu território com uma ferocidade mortal. Quando a tenente Artemis e a sua unidade de elite é transportada através de um portal para um mundo novo, deparam-se com uma realidade para a qual não estavam preparados. Numa tentativa desesperada de voltar para casa, a corajosa tenente encontra um misterioso caçador, cujas extraordinárias habilidades lhe permitiram sobreviver nesta terra hostil.


Lançada em 2004 pela poderosa Capcom, a franquia de videojogos “Monster Hunter” rapidamente se tornou num projeto de sucesso. A fórmula é simples: os jogadores assumem o papel de Hunter e partem por um universo pré-industrial em busca de criaturas, caçando e capturando-as.

Por ter um impacto tremendo na Ásia, com várias iterações para diferentes consolas e versões MMO, a expectativa sobre uma adaptação cinematográfica era alta. Só que a estreia complicada pelas restrições COVID, a controvérsia com o público chinês por uma piada racista e a habitual visão hiperativa e caótica do realizador Paul W.S. “Residente Evil” Anderson, parecem ter contribuído para, logo à partida, anular o crescimento da franquia nas salas de cinema.

Como filme, “Monster Hunter” é tanto comedido como hiperbólico, já que confronta as personagens, de trejeitos simples e “campy” integradas num universo árido e anulado, com o massivo e detalhado esforço de explorar todos os elementos dos videojogos. Armas, roupas, armaduras e criaturas como o chifrudo Diablos, os herbívoros Apceros ou o dragão Ratholos adornam este mundo para os fãs.

Pelo mesmo caminho, a narrativa desequilibrada, que responde no último ato a questões que ninguém fez e rebenta pelas costuras com as linhas descosidas de possíveis sequelas, vive com energia em índices elevados por uma edição raivosa e uma banda sonora synth/glitch/pop pujante.

Tudo isto é usado para nos ludibriar da falta de imaginação, do grande desaproveitamento de figuras como Milla Jovovich e Tony Jaa, e do CGI de valores duvidosos. Vale o gozo (recíproco) com Ron Perlman, feito pirata saído do One Piece, e um gato de nome “Meowscular Chef”. Se é para ser “campy” e mal feito, porque não?


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