“Godzilla vs. Kong”: confronto de titãs é só ação grandiosa sem pretensões nem originalidade

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O quarto filme da saga descarta o racional e anula os humanos. Aqui quer-se é emoção e pancada monstruosa!

SINOPSE: Uma luta pelo reino dos monstros, entre o imparável Godzilla e o gigantesco Kong, num mundo onde o homem e os monstros coexistem e os grupos inimigos querem manipular os Titãs para que a guerra comece a surgir sob o disfarce de uma conspiração nefasta, ameaçando acabar com a vida no Planeta.


Em 1962, quando ocorreu o primeiro grande embate, patrocinado no ringue pela produtora Toho, sob o título “King Kong vs Godzilla“, tratou-se mais um momento magnânimo de destruição supersónica entre estes dois titãs. Fazia parte de uma vasta coleção de filmes do icónico Godzilla, que se identificavam por dois elementos fulcrais: personagens humanos descartáveis, meros veículos auto-explicativos e gatilhos da ação, e cenários a serem destruídos sem apelo nem agravo.

Passados quase 60 anos, o realizador Adam Wingard percebeu que este era o caminho certo para os tempos que correm, de forma a corresponder aos ávidos fãs de uma boa murraça na mandíbula sáuria e de um laser a queimar o punho do símio gigante: o resultado chama-se “Godzilla vs. Kong” e é o quarto filme da saga “Monsterverse”, após “Godzilla” (2014), “Kong: Ilha da Caveira” (2017) e “Godzilla II: Rei dos Monstros” (2019).

Não se espere encontrar neste novo capítulo grande originalidade ou profundidade. A confusão narrativa é (des)alinhada de forma carismática por figuras como Rebecca Hall, Alexander Skarsgard, Demián Bichir, Brian Tyree Henry ou Kyle Chandler, autómatos “sexys” que debitam teorias científicas inócuas, marcando a sua utilidade no preenchimento dos espaços vazios até ao próximo duelo majestoso.

Mas será que isso tem importância? Talvez não e basta esperar meia hora para ver aquilo que interessa: um mano a mano entre os titãs.

Com perspetivas que destacam a grandiosidade destas criaturas, Wingard explora o CGI com capacidade emocionante e repugnante. Ao contrário dos anteriores filmes, as batalhas ou são à luz do dia com o céu claro, ou com o colorido berrante dos néons de Hong Kong, deslumbrante e exagerado a um ponto que nos tolda os sentidos. Aqui o objectivo é o de alimentar entretenimento de sinapses e estímulos furiosos com recompensa imediata, delineando um filme para ser visto lado a lado com os nossos cúmplices amigos nos cinemas.

Descartando o racional e anulando os humanos pela emoção e pancada monstruosa, “Godzilla vs Kong” é a carnificina mais brutal em todo o “Monsterverse”. Longe das iterações anteriores a ver planos “spielbergianos” de personagens a olhar os monstros com estupefação, agora é preciso preparar os olhos e argumentos para defender este musculado espectáculo.

Podemos começar deste lado: Kong aprendeu a usar ferramentas e já sabe que o seu punho fechado faz mossa, enquanto Godzilla tem garras afiadas, vantagem na água e uma cauda chicote poderosa. Quem será o vencedor? Os que são fãs já sabem que a resposta não será assim tão óbvia…


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