“A Guerra do Amanhã”: Chris Pratt enfrenta o futuro em filme caótico e sentimental.

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Amálgama de narrativas de ficção científica dos anos 80 e 90 serve de guia para o “blockbuster” da gigante Amazon.

A HISTÓRIA: Viajantes no tempo vêm de 2051 com uma mensagem urgente: daqui a 30 anos, a humanidade perderá uma guerra contra alienígenas mortíferos. A única esperança para a sobrevivência é que soldados e civis sejam levados para o futuro para lutar. Determinado a salvar o mundo pela filha, Dan Forester alia-se a uma cientista brilhante e ao próprio pai, que o abandonara, para alterar o destino do planeta.

“A Guerra do Amanhã”: disponível na Amazon Prime Video desde 2 de julho.

A Guerra do Amanhã” é “sci-fi” urgente, leve e bem-humorado. Embrulhado na sua cadência de referências e esguio na sua estrutura e identidade, é também uma cacofonia gloriosa de idiotice e frases sentimentalóides criadas por um qualquer gerador aleatório de guiões.

Realizado por Chris McKay (“Lego Batman: O Filme”) a partir de um guião de Zach Dean, o que aqui se encontra é “Soldados do Universo”, “No Limite do Amanhã”, “Aliens – O Recontro Final” e “O Dia da Independência” entrelaçados, em que os civis do ano de 2022 são recrutados para viajar até 2051 e enfrentar uma invasão alienígena. E claro está que, enquanto milhares serão dizimados, um erguer-se-á como herói.

Em vez de Tom Cruise, Sigourney Weaver ou Will Smith, nesta caso a “fava” calhou a Chris Pratt, que como produtor executivo, teve mais influência na definição do protagonista Dan Forester e munir-se de gravitas e uma crença de que “está destinado para algo maior”. Casado com Emmy (Betty Gilpin) e pai de Muri (Ryan Kiera Armstrong), Dan é um veterano da Guerra do Iraque que se acomodou numa vida suburbana, trabalhando como professor de ciências. Quando o seu nome é sorteado para o combate, o seu destino será cumprido: salvar o mundo.

Com um ritmo próprio dos videojogos de género “shooter e survival”, “A Guerra do Amanhã” nunca abranda e já no futuro, enquanto enfrentam criaturas tentaculares, horrendas, num festival de carnificina em CGI inesperado, a equipa de Dan terá de recuperar objetos, deslocar-se do ponto A ao B e sobreviver. Tudo enquanto obedecem às ordens da cientista/coronel Forester (Yvonne Strahovski), um apelido que anuncia um “twist” bonacheirão que o argumento explora num registo de redenção e reencontro, estendendo-o tanto quanto pode em olhares e suspiros que antecipam explosões e cenas em câmara lenta.

Para equilibrar, o filme usa e beneficia das suas escolhas de “casting”: a equipa de civis, sem treino militar, é composta por Sam Richardson, da série “Veep”, e Mary Lynn Rajskub, de “Chove Sempre em Filadélfia” e de “24”, que têm um dom natural para transformar frases-chave pirosas e diálogo expositivo sobre o que se está a passar em divertidos momentos de humor.

O problema de “A Guerra do Amanhã” é quando a ação para e teima em arrastar-se ao longo dos seus 140 minutos para um fosso de idiotice narrativa, o que dá tempo para começarmos a colocar questões que nunca serão respondidas… recrutam civis e não lhes dão treino militar? Só é possível viajar entre dois pontos temporais? Quando o nosso herói precisa de um vulcanólogo, a resposta está num miúdo de 12 anos?

Provavelmente, Chris Pratt até podia ter respondido a tudo isto… mas enquanto nós estamos distraídos com questões de lógica, ele tem um planeta para salvar!


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